Smart TV – Smart experiences!

Jun 27, 2013

Um novo território a ser conquistado.

O mercado das novas tecnologias tem registado nos últimos anos uma grande evolução, quer do ponto de vista da própria tecnologia em si, quer na forma como os utilizadores experimentam novas sensações e emoções que levam a novos desenvolvimentos, melhorias e a uma constante geração de valor.

Este facto sente-se sobretudo ao nível dos smartphones e tablets, com uma predominância para a solidificação de conceito emergente de equipamentos “smart” – equipamentos multifuncionais capazes de melhorar a nossa experiência no dia-a-dia, aliando os fatores mais utilitários da vida pessoal do utilizador à vertente profissional e do entretenimento. Desde ouvir música, à visualização do e-mail, passando pela gestão de tarefas do dia-a-dia, trabalho e cooperação em redes de trabalho, acesso a noticias, leitura de livros, aceder a redes sociais, ver filmes e uma vasta oferta de diferentes tipos de jogos, tudo é acessível e assente num conceito de APP – aplicações que agregam em si as diversas ações possíveis que o utilizador pode aceder comodamente a partir do seu equipamento.

Todo este campo experiencial acabou por sedimentar a ideia de que para tudo pode haver uma APP, ou que há uma APP para tudo e mais alguma coisa, à distância de um click na palma da nossa mão, justificando cada vez mais esta tendência de SMART Users, que usam equipamentos SMART num novo estilo de vida também SMART.

Este processo acaba por alavancar outras áreas das indústrias criativas que encontram assim várias oportunidades de desenvolver conteúdos SMART, para os diferentes tipos de equipamento, assente numa visão abrangente de desenvolver conteúdos de uma forma integrada, para estar disponível e ajustado a vários equipamentos, sob o conceito a que também se pode chamar SMART Media.

A televisão, a caixa que mudou o mundo, continua a surpreender numa altura em que muitos já haviam ditado a extinção da sua relevância, aliando-se a esta tendência SMART, seguindo as boas práticas e o sucesso de outras áreas, procurando o seu espaço e criar o mesmo tipo de ligação afetiva, utilitária e de entretenimento com os utilizadores, permitindo até, muitas vezes, ser uma extensão de todos os outros equipamentos que o utilizador já usa, como é o caso do Smartphone e tablet.

Embora as SMART TV’s, não tenham a mobilidade que os smartphones e tablets têm, estas permitem outros tipos de experiência complementar proporcionada através de um ecrã maior com uma maior profundidade sensorial e um tipo de relacionamento com o equipamento mais prolongado, bem como a visualização de outro tipo de conteúdos, potencialmente mais ricos.

Aqui também o processo de interatividade é um campo cada vez mais aberto de possibilidades, onde o simples manuseamento de um telecomando pode ser substituído por comandos de voz ou gestos, permitindo explorar outros campos sensoriais do utilizador e ao mesmo tempo, abrir outras áreas de interesse de cariz mais utilitário e de companhia num espaço mais intimista, familiar e privado como é a nossa casa.

Mais do que a atividade de desenvolver aplicações, é importante pensar numa lógica de gerar valor, gerar relacionamento e adoção por parte do público e dos utilizadores, e de criar um compromisso entre o conteúdo e o seu lado prático e utilitário, para assim lhes disponibilizar informação, conhecimento e entretenimento através de um equipamento que há muito tempo faz já parte dos lares.

Com o elevado incremento das possibilidades interativas que a SMART TV disponibiliza é também crucial a análise e estudo sobre a usabilidade de cada aplicação, tendo em conta o público-alvo, os seus hábitos e estilos de vida, os seus comportamentos, identificando também eventuais limitações que possam existir.

No entanto, embora as questões tecnológicas, o lado inovador de interação e a respetiva usabilidade aplicacional sejam muito importantes, o conteúdo em si continua a ser o mais relevante e é isso que move os utilizadores para dentro da SMART TV e para dentro das aplicações. Existem inúmeras aplicações tecnologicamente perfeitas e do ponto de vista de usabilidade bem desenvolvidas, mas que nunca viram a luz do sucesso, entenda-se, grande adesão por parte do público, devido aos fracos conteúdos. Tal como no revés da medalha, existem inúmeras aplicações com um conteúdo relevante e interessante, mas cuja usabilidade e funcionalidade aplicacional compromete a experiência de consumo do conteúdo.

É por isso importante balancear bem as questões de desenvolvimento tecnológico da aplicação, apostar numa boa usabilidade e facilidade de utilização e num conteúdo relevante para os utilizadores, e procurar evitar o erro de ter demasiado texto, que obrigue o utilizador a uma leitura demorada, afinal, perante uma televisão, espera-se uma experiência televisiva, com conteúdos de imagem em movimento, com conteúdos multimédia.

Não se pode esperar que o utilizador de SMART TV procure o mesmo tipo de experiência de navegação e de utilização de um smartphone ou de um tablet, como por exemplo navegar na internet, aceder a redes sociais ou a outro tipo de conteúdos tradicionalmente acedidos por um PC. Embora em alguns casos possa até ser semelhante, a experiência de utilização da SMART TV, a relação com o conteúdo é à partida diferente e deve-se entender como um elemento complementar à experiência dos outros equipamentos, procurando até a sua integração e explorando o conceito da existência de um segundo ecrã com o intuito de intensificar e melhorar a experiência global.

Desenvolver aplicações para SMART TV é assim um desafio multidisciplinar, onde temos a necessidade de unir várias valências que vão desde a programação, passando pelo design e estudo de usabilidade e pela produção ou agregação de conteúdos segmentados, objetivos e devidamente selecionados para os públicos-alvo, dando a opção ao utilizador de controlar a forma como e quando quer visualizar o conteúdo.

Ao contrário do que acontecia há alguns anos, as pessoas paravam apenas perante a televisão, ouviam pontualmente rádio e liam jornais para se manterem informados, ou para meramente disfrutarem de momentos de ócio, recorrendo a conteúdos que aí eram disponibilizados. Com o aumento e dispersão de novos meios, assim como a dispersão da atenção por parte dos públicos, é necessário ganhar novamente terreno no relacionamento com o público, o que significa em si um novo desafio e um novo trabalho de marketing em identificar e segmentar novos territórios, próximos de uma nova geração de SMART Users, que necessitam de ser conquistados.

Mário Cardoso
CICANT - Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias
Centre for Research in Applied Communication, Culture and New Technologies

Professor / Researcher

Grupo Lusófona