“Smartphones” e computação ubíqua

Nov 29, 2012

Bill Buxton, Investigador Principal da Microsoft Research, possui provavelmente uma das maiores colecções de “gadgets” existentes no Mundo (ver http://research.microsoft.com/en-us/um/people/bibuxton/buxtoncollection/). A colecção foi criada ao longo de trinta e cinco anos e dela emerge o "smartphone" como elemento central da nossa interacção com o Mundo.

Os “smartphones”, e as suas extensões naturais- os “tablets”, são crescentemente elos de comunicação e plataformas inigualáveis para serviços on-line. Os dispositivos actuais distinguem-se, de gerações anteriores, por possuírem uma superior capacidade de processamento e écrãs de maior resolução. Incluem também sensores raramente disponíveis ou inexistentes em dispositivos móveis no passado: duas câmaras, “multi-touch”, giroscópios, acelerómetros e “GPS”. A fusão dos sinais destes sensores permitiu o desenvolvimento de interfaces mais intuitivas, a integração da localização no acesso a serviços, e aplicações de realidade aumentada.

Na evolução da computação, a computação móvel veio substituir a computação baseada em “desktops”, que por sua vez representa uma evolução em relação à utilização de “mainframes”. A computação ubíqua é usualmente referida como a sucessora natural da computação móvel.

A denominada “Internet das coisas” será uma das componentes fulcrais da computação ubíqua. Nos últimos quinze anos, têm-se proposto sistemas baseados em etiquetas de rádio, ou outras formas de electrónica impressa, para permitirem a nossa interacção com objectos.

Desenvolvimentos recentes de realidade aumentada móvel sugerem que os “smartphones” podem continuar a desempenhar o papel principal nesta nova geração de computação. Eles permitem “aumentar” paisagens urbanas mas também material impresso, sobrepondo informação sintética à informação real. Continuarão a ser um instrumento de navegação no exterior mas permitirão crescentemente a interacção com embalagens, livros e outros objectos do nosso quotidiano.

O bem sucedido quadricóptero de uma empresa francesa, controlado por um “smartphone”, e permitindo aplicações de realidade aumentada remota, evidenciou uma nova função para este tipo de dispositivos: o de tele-operador de “gadgets”. Os “smartphones” vão ser ainda o elemento essencial do que se avizinha como uma explosão da robótica de baixo custo, que estará presente nas nossas casas e espaços públicos.

Bill Buxton prevê que os “smartphones” passem a ser também o elemento fundamental da nossa interacção com os automóveis. Serão eles a activar os sistemas computacionais dos nossos veículos controlando o seu ambiente, permitindo a comunicação e o acesso a informação, e desempenhando um papel central em situações de emergência.

Se hoje esvaziarmos os nossos bolsos encontramos invariávelmente uma carteira, chaves (do carro e de casa), e um telemóvel. No futuro, estes três objectos serão provávelmente substituídos por um objecto apenas: o “smartphone”. Ele substituirá os artefactos do nosso passado analógico, e será a nossa janela para a futura computação ubíqua.

António Câmara